Motins no Brasil mostram o ‘Efeito Trump’ em ação – CMIO

Os recentes protestos de apoiadores de Bolsonaro têm uma forte semelhança com os de Washington há apenas dois anos.

Pela segunda vez, janeiro se tornou um mês especial em que as pessoas em um grande país democrático são incitadas à violência contra as principais instituições governamentais.

No Brasil, milhares de apoiadores do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que não conseguem lidar com sua derrota por pouco nas recentes eleições presidenciais, invadiram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o palácio presidencial do Brasil no domingo. Isso aconteceu uma semana depois que o presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva foi inaugurado em 8 de janeiro, ou seja, apenas dois dias depois de 6 de janeiro, data em que em 2021 apoiadores do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump invadiram o prédio do Capitólio.

Agora, existem algumas diferenças além dessa data, incluindo o fato de que Bolsonaro aparentemente fugiu para a Flórida – ou seja, ele não estava presente nos ataques – e não incitou a multidão. Para seu crédito, ele realmente denunciado os manifestantes publicamente no Twitter, mas deve-se notar que as autoridades brasileiras estão buscando sua extradição, embora nenhum pedido oficial tenha sido feito ainda. Os brasileiros também se infiltraram em mais prédios do que os americanos e Lula já estava oficialmente empossado quando o fizeram.

Segundo relatos, a polícia rapidamente recuperou o controle da situação e Lula jurou punir os autores desse ato de violência sem sentido. Ele disse que a situação era sem precedentes e descreveu os manifestantes como “vândalos e fascistas.” E ele também atacou as forças de segurança relevantes por seus “incompetência, má-fé ou dolo” por não impedir que os manifestantes entrassem em prédios do governo.


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Apesar de alguns detalhes superficiais serem diferentes e, claro, o presidente reagir de maneira diferente, ainda remete aos tumultos do Capitólio em 2021 no que poderíamos chamar de ‘Efeito Trump’. Afinal, as comparações entre o ex-atacante americano e o brasileiro estavam aí. Bolsonaro foi apelidado de ‘Trump Tropical’ por sua política grosseira de direita e desfruta de um culto à personalidade semelhante ao de seu vizinho laranja da Flórida.

Como Trump, Bolsonaro exagerou seus adversários de esquerda, chamando-os de comunistas e socialistas e acusando-os de serem radicalmente ateus. O político brasileiro chegou a dizer que Lula planejava fechar igrejas (apesar de ter feito aberturas à comunidade católica) e seus apoiadores, em alguns casos, imploraram aos militares que interviessem para impedir que Lula se tornasse presidente, efetivamente reinstituindo a ditadura militar no Brasil.

Bolsonaro não é apenas uma figura parecida com Trump, o Brasil também é semelhante aos EUA de várias maneiras. Por um lado, o Brasil é um país profundamente polarizado. Lula venceu a disputa com 50,9% dos votos contra 49,1% do atual presidente Jair Bolsonaro, o que é uma margem bastante estreita.

Em segundo lugar, Lula venceu esta eleição contenciosa ao obter muitos votos das pessoas do centro. E mesmo que ele realmente tenha conseguido isso, nem toda essa gente votou no Partido dos Trabalhadores (PT) além dele. Com efeito, o Partido Liberal (PL) de Bolsonaro é o maior em ambas as casas do Congresso brasileiro, controla governos importantes em todo o país e goza de amplo apoio. É quase como o Partido Republicano dos Estados Unidos, exceto pelo Bolsonarismo fortemente – e eu quero dizer fortemente – desempenho superior em relação às pesquisas em todo o país.

Finalmente, outra semelhança crítica entre 6 e 8 de janeiro é o papel da desinformação. Como dito anteriormente, Bolsonaro fugiu para a Flórida após perder sua candidatura à reeleição e não participou da cerimônia formal de troca da guarda. Chegou a questionar a validade do processo eleitoral do país, como fez Donald em Washington.


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Antes da eleição, ele afirmou que o sistema de votação eletrônica do Brasil era vulnerável a fraudes. E isso provocou um brasileiro inteiro “parar o negócio” movimento, mesmo que a contestação legal para fazê-lo pelo lado de Bolsonaro tenha sido rejeitada na Justiça. A desinformação era desenfreada e protestos em larga escala eclodiram logo após a finalização dos resultados das eleições, com apoiadores de Bolsonaro alegando impropriedade eleitoral.

A questão que o 8 de janeiro agora levanta é a seguinte: veremos tentativas violentas de golpe toda vez que uma eleição não for bem-sucedida nas principais democracias do mundo? Já aconteceu nos Estados Unidos, supostamente o modelo mundial de democracia, e agora aconteceu em outra grande democracia, o Brasil. Podemos, de fato, estar vendo o início de um ‘Efeito Trump’, no qual a direita global foi inspirada pelos manifestantes do Capitólio de 6 de janeiro de 2021 e acredita de todo o coração em uma conspiração que os ameaça e a seus valores políticos.

Mostra mais uma ruptura em todo o sistema ocidental de ‘democracia’, em que uma parcela significativa da população nem mesmo acredita nela a ponto de considerá-la ilegítima. E eles defendem essa visão com tanta força que estão dispostos a infringir a lei e arriscar sua liberdade para fazer algo a respeito.

As declarações, pontos de vista e opiniões expressas nesta coluna são exclusivamente do autor e não representam necessariamente as da RT.



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