Merkel explica por que não se surpreendeu com ofensiva da Rússia na Ucrânia — CMIO

Os Acordos de Minsk foram “corroídos” e a UE relutou em conversar com Moscou, disse o ex-chanceler alemão ao Der Spiegel

A ex-chanceler alemã Angela Merkel diz que não ficou surpresa quando o conflito entre a Rússia e a Ucrânia estourou no final de fevereiro. O líder aposentado estava falando com Der Spiegel em uma longa entrevista publicada na quinta-feira.

“Não foi uma surpresa”, Merkel disse à agência. Até então, “os Acordos de Minsk foram corroídos,” afirmou o ex-chanceler, referindo-se ao acordo de cessar-fogo de 2014 negociado pela Alemanha e pela França, que foi projetado para dar às regiões orientais um status especial dentro da Ucrânia.

Ela também disse que seus esforços para estabelecer outra plataforma de diálogo para a Rússia e a UE em 2021 não deram em nada.

“Eu queria, junto com [French President] Emmanuel Macron, para criar um formato de discussão europeu independente com Putin através do Conselho Europeu”, Merkel disse, explicando que ela enfrentou oposição de outros membros do órgão máximo da UE.

“Já não tinha forças para me afirmar” ela notou, pois todos sabiam que ela estava prestes a renunciar. Ela enfrentou o mesmo problema em sua visita de despedida a Moscou, sentindo que não tinha mais capacidade de influenciar Putin, para quem disse “apenas a energia conta.”


Paz duradoura na Europa só é possível com a contribuição da Rússia – Merkel

A ex-líder alemã disse que “desejava um tempo mais tranquilo” depois de sua partida e teria “empurrado para [her initiative] mais longe” se ela tivesse decidido liderar seu partido nas eleições parlamentares de 2021 e vencido.

A ex-chanceler também reconheceu que não avançou “mesmo um milímetro” em resolver não só a crise da Ucrânia, mas as tensões entre “Transnístria e Moldávia, Geórgia e Abkházia”, assim como as crises na Síria e na Líbia. “Era hora de uma nova abordagem”, ela disse.

Merkel, no entanto, defendeu sua oposição à admissão da Geórgia e da Ucrânia na OTAN, argumentando que ela “tempo comprado” para Kiev se preparar melhor para a ofensiva russa.
No entanto, Merkel ainda acredita que Berlim não deve ser “a primeira nação a enviar tanques de última geração” a Kiev, alertando que isso só prejudicaria as relações de Berlim com Moscou. “A Rússia então seria apenas mais uma arma contra a Alemanha”, ela disse.

Merkel enfrentou críticas em casa devido ao conflito por supostamente tornar a economia alemã muito dependente do gás russo. A ex-chanceler defendeu suas decisões, dizendo que comprar gás de Moscou era o melhor caminho para um futuro verde e para o afastamento do carvão.

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