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Crise do euro põe UE em xeque: 'Margem de manobra dos países é pequena', observa analista

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Dados do Eurostat, o serviço de estatística da União Europeia, indicam que a inflação na zona euro atingiu 9,1% de avanço anual em agosto, percentual mais alto desde a criação da moeda única. Projeções do Banco Central Europeu (BCE) traçam um panorama sombrio, que ainda vai piorar.
Acuados por políticas de seus governantes — estes mais preocupados com a manutenção de alianças com os Estados Unidos e com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) do que com o cenário interno de seus países —, cidadãos europeus têm ido às ruas de diversas cidades para protestar contra o aumento descontrolado da energia, dos alimentos e do custo de vida.
Nesta sexta-feira (7), foi a vez de Varsóvia, capital polonesa, onde manifestantes gritavam palavras de ordem como “governo de medíocres” devido ao aumento das tarifas de energia elétrica.
Para Lia Valls, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o cenário de pressão ante a operação militar especial nas fronteiras russas se desdobra com a ajuda do aumento da taxa de juros nos EUA.

“Essa crise também está relacionada à questão do momento, do contexto, e motivada pelos próprios governos. Tudo isso é fruto de ações dos próprios governos da Europa. Nesse sentido, pode ser que haja pressão, mas não no sentido de culpar os governos do euro”, comentou.

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A questão crucial, prossegue, é o fornecimento de energia da Rússia, o que pode aumentar a pressão para que a transição energética se dê de uma forma mais rápida.
Mudar toda a matriz de energia, no entanto, leva tempo, algo que a Europa Ocidental talvez não tenha, já que o rigoroso inverno do continente começa, oficialmente, em dezembro.
Mesmo com esse cenário, a professora da UERJ não vê perspectivas de mudança das posturas política e de diplomacia europeias.

“Não consigo julgar que mudança de política externa pode ser pensada. A Europa tem uma ligação muito forte com a parte ocidental, com os Estados Unidos, que são seus aliados. Talvez a Europa deva questionar ou ter uma política de maior neutralidade, não fazer envios de arma e ajuda financeira. Por outro lado, é preciso lembrar que quando a Europa faz isso, os países europeus também têm o receio de expansão da Rússia”, analisou.

A economista alega que um dos temores da Europa Ocidental é justamente esse: do conflito que ocorre perto do seu próprio território, e que existe a consciência de que ele traz consequências para os países, pois há muitos refugiados e impactos econômicos.

“Não sei em que medida poderia se pensar na neutralidade para os países europeus. Podem não seguir com um alinhamento em relação aos Estados Unidos, talvez procurar mais diálogo com [o presidente russo, Vladimir] Putin. É uma situação extremamente difícil. A margem de manobra dos países europeus é pequena”, reflete Valls. “Manter total neutralidade é muito difícil para os europeus, porque está todo mundo no mesmo território.”

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A aposta da professora é que a ideia principal dos líderes europeus é “deter a Rússia”. Isso porque na disputa entre Moscou e o Ocidente, a Europa é a parte que mais sofre as consequências, uma vez que os Estados Unidos estão do outro lado do oceano Atlântico.
Mesmo com o aumento da mobilização popular contra a atual postura europeia, com a crise do euro e com o fortalecimento de movimentos nacionalistas no continente, a especialista não crê em grandes chances de mudança na política externa da União Europeia. Mas não descarta a possibilidade.

“Isso não desemboca em um alinhamento com a Rússia. Se houver mudança, vai haver um isolamento dos países [da UE]”, avaliou.

Enquanto as decisões geopolíticas dos líderes europeus não mudam para um pragmatismo, o aprofundamento da crise econômica segue levando a zona euro para um mergulho no caos.
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