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Europa não pode ter GNL barato e contratos de curto prazo ao mesmo tempo, diz CEO da Total Energies

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Os países estão exigindo o impossível, procurando contratos de gás natural liquefeito (GNL) com preço acessível, disponível e flexível em termos contratuais de curto prazo, disse o CEO da Total Energies, Patrick Pouyanne.
“Se a Europa quer alguma segurança de abastecimento, isso tem um custo. Se você quer um preço barato por um curto período, a resposta obviamente é ‘não’“, disse Pouyanne, falando em Doha, Catar, onde a Total Energies assinou um contrato de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,9 bilhões) no sábado (24) por uma participação de 9,375% no projeto de extração de gás Campo Norte Sul do reino do Golfo.
“Não é uma questão de política. É uma questão de entregar preço e volumes”, enfatizou Pouyanne.
O Catar espera que até 25% do Campo Norte Sul seja desenvolvido por investidores estrangeiros, com líderes e autoridades de energia europeus migrando para o país em busca de gás necessário depois de se desligarem do gás russo. O chanceler alemão Olaf Scholz deve chegar a Doha para negociações sobre energia ainda neste domingo (25).
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Ao contrário do petróleo, que pode ser facilmente desviado de oleodutos terrestres para navios-tanque, trens, caminhões e outras formas de transporte, o gás natural exige infraestrutura e capacidade de transmissão caras e bem desenvolvidas para ser transportado e comercializado entre as nações. A última limitação foi demonstrada recentemente pela Gazprom da Rússia, que desviou parte do gás normalmente enviado para países europeus para uso interno e vem queimando o restante em meio à falta de capacidade de armazenamento.
A logística do GNL e do gás de petróleo liquefeito (GPL) embarcado em navios-tanque é ainda mais complexa, com instalações portuárias especiais para descarregar o primeiro e comprimir, carregar, entregar e descomprimir o segundo. Isso aumenta significativamente o tempo e os custos envolvidos na venda de gás natural GNL e GPL, em comparação com seu análogo baseado em gasodutos.
O presidente russo, Vladimir Putin, apontou algumas das dificuldades envolvidas nos contratos de gás em outubro de 2021, quando os países europeus começaram a sofrer choques energéticos graças à preferência de seus governos por acordos de curto prazo baseados em preços à vista, dependência excessiva de fontes de “energia verde” e o aquecimento da demanda de gás à medida que as nações se abriram pós-COVID-19.
“De um modo geral, o comércio de gás na bolsa de valores não é muito eficaz [e] traz muitos riscos, porque o gás não é como relógios, roupas íntimas ou gravatas, nem carros, nem mesmo petróleo, que pode ser criado e armazenado em qualquer lugar, inclusive em navios-tanque, em antecipação a uma determinada situação no mercado. O gás não é comercializado dessa maneira, não pode ser armazenado dessa maneira”, explicou Putin na época.
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Na primavera e no verão passados (Hemisfério Norte), a União Europeia (UE) agravou a crise elevando os preços e a escassez da energia na região ao proibir as compras de petróleo, carvão e eletricidade russos e impor restrições ao fornecimento de gás natural de origem russa.
A Nord Stream 1 (Corrente do Norte 1), a última grande rota baseada em gasodutos para o fornecimento de gás natural russo para a Europa, foi fechada para manutenção no mês passado depois de passar meses operando a um sexto de sua capacidade normal graças às sanções ocidentais sobre suas turbinas fabricadas no exterior. Antes das restrições, o gasoduto era capaz de bombear até 55 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Também no verão, as autoridades da Ucrânia fecharam o ramal sul do enorme oleoduto Druzhba, enquanto Varsóvia interrompeu o fluxo de gás russo através do oleoduto Yamal-Europa, na Polônia, e o ligou em fluxo reverso, retirando da Europa outros 33 bilhões metros cúbicos por ano em capacidade de gás.
O Nord Stream 2, que poderia dobrar as entregas de gás russo por gasodutos através do mar Báltico para a Europa para 110 bilhões de metros cúbicos por ano, foi concluído no final do ano passado, apesar das sanções dos EUA, mas nunca foi ativado depois que Berlim “aposentou” o projeto em fevereiro.
Apesar da crise nas relações entre a Rússia e o Ocidente, o presidente Putin e outras autoridades russas disseram repetidamente que Moscou continua preparada para reativar os Nord Stream 1 e 2 no “dia seguinte” caso a Europa decida abandonar suas sanções e concordar com acordos de longo prazo baseados em contratos em rublos.



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