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Presidente da União Africana à ONU: continente não quer ser 'terreno fértil de uma nova Guerra Fria'


Falando na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York na terça-feira (20), o presidente senegalês Macky Sall, que atualmente preside a União Africana, disse que a África “não quer ser terreno fértil de uma nova Guerra Fria”. “Eu vim dizer que a África já sofreu o suficiente com o fardo da história; que não quer ser terreno fértil de uma nova Guerra Fria, mas sim um polo de estabilidade e oportunidade aberto a todos os seus parceiros, em uma base mutuamente benéfica”, disse Sall.
“Pedimos uma desescalada e uma cessação das hostilidades na Ucrânia, bem como uma solução negociada para evitar o risco catastrófico de um conflito potencialmente global”, acrescentou.
Os Estados Unidos pressionaram especialmente as nações africanas a escolher um lado no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que começou em fevereiro, embora suas origens remontem ao golpe de 2014 em Kiev por forças apoiadas pelos EUA. Washington ameaçou as nações se violarem as sanções impostas contra Moscou.
As nações africanas importaram coletivamente US$ 12,6 bilhões (R$ 648 bilhões) em mercadorias russas em 2020, incluindo 30% de suas importações de grãos, bem como fertilizantes e produtos petrolíferos, todos eles aumentaram de preço por causa das interrupções motivadas pelo conflito na Ucrânia, das sanções ocidentais e da inflação.
Quando o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, visitou a África do Sul no mês passado na tentativa de afastar Pretória de sua posição neutra, seu homólogo sul-africano, Naledi Pandor, disse-lhe que “devemos estar igualmente preocupados com o que está acontecendo com o povo da Palestina como estamos com o que está acontecendo com o povo da Ucrânia”.
Na Assembleia-Geral na terça-feira (20), Pandor disse que a ONU deveria liderar “um processo de diplomacia” entre Moscou e Kiev para acabar com o conflito.
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Quando o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa veio a Washington na semana passada, ele também disse aos legisladores dos EUA que “se o projeto de lei contra as atividades nocivas da Rússia [na África] se tornasse uma lei dos EUA, isso poderia ter como consequência não intencional punir o continente africano por esforços para promover o desenvolvimento e o crescimento”.
Do Mali à República Centro-Africana, nações frustradas com a infrutífera ajuda militar ocidental têm rejeitado essas parcerias e recorrido a nações como a Rússia para obter ajuda. Em cada caso, a troca é recebida no Ocidente com alegações de “influência nociva” russa, incluindo campanhas de mídia social e alegações de que empreiteiros militares privados russos foram secretamente enviados para lá por ordem do Kremlin e estão cometendo crimes de guerra.
A última nação a ver protestos contra a presença militar da França e que apoia uma parceria russa é o Níger, onde a França trava uma campanha militar de terror contra militantes islâmicos há quase uma década, e que trabalha fortemente sob uma relação desigual com Paris, seu antigo governante colonial.
Alegações semelhantes foram feitas quanto à crescente relação da China com as nações africanas, especialmente aquelas que se tornam parte da iniciativa Cinturão e Rota, um megaprojeto de infraestrutura iniciado por Pequim. As instituições ocidentais alegaram que a China pratica uma “diplomacia de armadilha da dívida” para obrigar as nações a seguir a sua política externa, mas investigações provaram que, pelo contrário, são organismos financeiros ocidentais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional que se envolvem em tais práticas, que os credores chineses são comparativamente “mãos-largas” e regularmente abatem dívidas de nações pobres.
Sall disse na ONU que a África é “um continente determinado a trabalhar com todos os seus parceiros” para atender às suas necessidades, que incluem o acesso às facilidades básicas da vida moderna, como eletricidade, cuidados médicos e água potável. O continente também ficou para trás do resto do mundo na vacinação COVID-19, sem vacinas suficientes para atender os indígenas e outras minorias.
Além da Etiópia, todo o continente caiu sob a dominação de impérios europeus durante partes dos séculos XIX e XX, levando à morte em massa, à destruição dos sistemas tradicionais de vida e ao subdesenvolvimento econômico crônico. Desde que as nações africanas ganharam independência, a maioria foi forçada a manter relações neocoloniais com seus antigos colonizadores, cuja extração de recursos continuou crescendo.



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Via Sputnik News- IMG Autor




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