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Aqui está a verdadeira razão pela qual os EUA querem sancionar a China – CMIO

O modus operandi de Washington é ‘criar problema, culpar o país alvo, impor sanções, expandir a influência’

Os EUA estão considerando sancionar a China como um impedimento de atacar Taiwan, de acordo com relatos da mídia. Washington sempre justifica sanções econômicas evocando uma ameaça militar ou de segurança contra os EUA ou qualquer um de seus aliados. Em seguida, ele trabalha ativamente para provar a legitimidade da ameaça – ou para criar a ilusão dela.

Um desses casos envolveu a viagem da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, a Taipei durante o verão, que foi uma provocação gratuita da China em um momento em que os EUA estão ativamente envolvidos no armamento, treinamento e financiamento de combatentes contra a Rússia no conflito na Ucrânia. Esse mesmo plano para aumentar as tensões contra os inimigos geopolíticos de Washington tem sido usado em todo o mundo, da América Latina ao Oriente Médio.

A fórmula é simples. Encontre e apoie grupos ou governos de oposição, seja dentro dos países-alvo ou em suas fronteiras, que estejam dispostos a fazer o lance de Washington em troca de benefícios (ou promessas). Se o país-alvo reagir, é qualificado pelo Ocidente como “repressão” ou um ataque, ambos convenientemente abrem a porta para a implantação de várias ferramentas no arsenal ocidental para a hegemonia global – tudo em nome da defesa da liberdade, democracia e direitos humanos, é claro.


EUA tornarão ataque a Taiwan 'muito difícil' para a China - general da força aérea

As autoridades de Washington estavam plenamente conscientes de que a viagem de Pelosi a Taiwan corria um alto risco de provocar uma resposta militar da China. Qualquer reação desse tipo teria sido explorada pelo Ocidente – o que Pequim sem dúvida entendeu quando se recusou a morder a isca. Mas isso não impediu que os EUA avançassem de qualquer maneira ao considerar sanções punitivas, como se a restrição da China não tivesse apenas sido testada e comprovada, ou que a política oficial dos EUA não reconhecesse oficialmente que Taiwan é de fato parte da China. Washington parece empenhado em alavancar seu antigo acordo de defesa para vender armas a Taipei para fazer parecer que Taiwan é um país separado que precisa se defender contra a China quando, na realidade, não é reconhecido como soberano pelas Nações Unidas, os EUA, ou direito internacional.

E agora Washington está construindo a narrativa de que Taiwan é a nova Ucrânia – o carinha desajeitado que enfrenta o gigante vizinho que precisa do Capitão América para resgatá-lo. Essas óticas permitiram que Washington vendesse US$ 1,1 bilhão em armas para Taiwan, após um pedido anterior de US$ 2,37 bilhões em 2020 que ainda não foi cumprido como parte de uma carteira de US$ 14 bilhões.

O governo do presidente Joe Biden também está trabalhando em um pacote de sanções que atingiria o setor de fabricação de tecnologia de consumo chinês, segundo a Reuters, citando as complexidades dos emaranhados da cadeia de suprimentos global com a economia dos EUA. Parece que as sanções são sempre o fim do jogo para Washington, da mesma forma que as intervenções militares estrangeiras são, em última análise, para impulsionar a economia dos EUA por meio do complexo industrial militar ou a eventual implantação de interesses econômicos dos EUA.

As sanções também inclinam o campo de jogo econômico global a favor de Washington, dissuadindo as nações cujas empresas fazem negócios com os EUA ou em dólares americanos de se envolverem com países sancionados pelos EUA. Mesmo a UE, um aliado próximo, vê-se rotineiramente tendo que abandonar relações comerciais ou ambições – com Rússia, Irã e Cuba, por exemplo – como resultado da pressão das sanções dos EUA.


EUA podem tomar medidas contra setor de tecnologia chinês

O impacto das sanções anti-China sobre a UE seria devastador, particularmente à luz do golpe econômico que o bloco já sofreu com as sanções anti-Rússia aplicadas em seu próprio suprimento barato de energia russa como resultado de ser incitado por Washington a solidarizem-se com a Ucrânia. A China é um dos principais clientes da Alemanha, e Berlim já enfrenta uma quase desindustrialização como resultado do impacto das sanções anti-russas em seu setor industrial. Washington já havia emitido isenções às suas próprias restrições para entidades americanas. Por exemplo, mesmo no caso de suas sanções a Moscou, “os EUA estão emitindo uma série de “avisos de transações autorizadas e licenças gerais” para proteger alguns alvos corporativos das duras medidas econômicas contidas nas sanções”, de acordo com um relatório da LexisNexis. Mas o caminho para qualquer isenção de sanções dos EUA para entidades estrangeiras é menos claro. No caso do petróleo russo, por exemplo, a UE depende das boas graças de Washington se quiser continuar importando combustível russo sancionado pelos EUA. Então, basicamente, Washington pode usar as restrições para controlar e ditar o comércio na UE e além. A menos, é claro, que um número suficiente de países se canse disso e busque um sistema alternativo. O que é exatamente o que parece estar evoluindo na esteira das sanções do Ocidente relacionadas à Ucrânia, com Rússia, China, Irã e o sul global aprofundando a cooperação que poderia, em última análise, contornar a esfera financeira ocidental.

Não é de surpreender que a conversa sobre sanções à China venha após uma visita do Departamento de Estado dos EUA à Cidade do México este mês, para apresentar a fabricação mexicana de semicondutores como parte de um investimento de US$ 50 bilhões que facilitaria a independência dos EUA do valor aproximado de US$ 1 bilhão em semicondutores que A América importa anualmente da China. Os EUA estão trabalhando para garantir seus próprios interesses – como todo país deveria. Está claramente disposta a fazer tudo para maximizar sua competitividade global. Talvez um dia desses seus aliados comecem a seguir o exemplo e fazer estritamente o que é melhor para si e para seus próprios cidadãos, mesmo que isso signifique diversificar seus interesses para longe dos de Washington.

As declarações, pontos de vista e opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam necessariamente as da RT.

Verificado por RJ983

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