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Especialistas: Rússia seria fundamental na construção de dutos de petróleo e gás da África Central

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O projeto de energia centro-africano exigirá know-how estrangeiro, com o conhecimento técnico russo capaz de alterar o equilíbrio a favor de projetos de energia africanos, de acordo com os especialistas em energia dr. Mamdouh G. Salameh e N.J. Ayuk.
“Os russos são os melhores quando se trata de dutos”, afirmou Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia e CEO do conglomerado de direito corporativo pan-africano Centurion Law Group. “Ministros africanos planejam estar na Semana Russa de Energia e discutir isso. Eles também estão convidando empresários de energia russos para a Semana Africana de Energia para ter conversações bilaterais sobre como usar a experiência russa ou chinesa para fazer isso funcionar.”
Guiné Equatorial, Camarões, Gabão, Chade, Angola, República Democrática do Congo e República do Congo – membros da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC) que assinaram o acordo de dutos – são todos produtores de petróleo ou possuem reservas substanciais de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, as deficiências na capacidade de refino e a falta de financiamento os deixaram dependentes de produtos refinados importados. Como resultado, eles têm lutado com a escassez de combustível e energia há anos.
A maioria das refinarias existentes não está funcionando ou não tem capacidade, reconheceu Ayuk, observando que houve muitos planos para superar a dependência de bens refinados de petróleo importados anteriormente.
“[Houve] muitos estudos de viabilidade, mas muito pouca ação dos governos e do setor privado”, disse ele, acrescentando que os governos africanos têm estado amplamente focados nos lucros com as vendas de óleo cru. Segundo Ayuk, os Estados centro-africanos “precisam tomar grandes decisões e promover isso para nossa própria segurança energética e sobrevivência”.
“A motivação dos países da África Central por trás da assinatura de um acordo para criar uma rede regional de oleodutos e gasodutos e infraestruturas de centros de distribuição, que fortalecerão o fornecimento de energia e reduzirão a dependência das importações de produtos refinados, parece ser uma proposta válida e bem pensada”, ecoou o dr. Mamdouh G. Salameh, economista internacional de petróleo e professor visitante de economia da energia na ESCP Europe Business School, em Londres.
Ele explicou que, das dez maiores reservas de petróleo bruto na África, cinco estão nos países centro-africanos do Gabão, República do Congo, Guiné Equatorial, Chade e Angola, com reservas comprovadas estimadas em 31,3 bilhões de barris. “Eles também possuem reservas comprovadas de gás superiores a 40 trilhões de pés cúbicos“, acrescentou. Há vários projetos promissores na mesa que não se concretizaram até agora, segundo o economista internacional do petróleo.
“Um caso em questão é o gasoduto transaariano de 4.128 km de extensão envolvendo Nigéria, Níger e Argélia”, disse o especialista. “Este gasoduto proposto foi concebido pela primeira vez em 1970 e ainda não saiu do papel 42 anos depois, apesar de muitos memorandos de entendimento assinados ao longo dos anos, o mais recente dos quais apenas três meses atrás.”
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Como fazer o projeto decolar?

O recente projeto de vários atores regionais formulado no Fórum Empresarial da África Central em Douala, Camarões, nos dias 8 e 9 de setembro previa a construção de três sistemas multinacionais de oleodutos e gasodutos de aproximadamente 6.500 km de comprimento, com depósitos de armazenamento, terminais de gás natural liquefeito, pelo menos três refinarias e usinas termelétricas a gás ligando 11 países. O memorando de entendimento sobre o ambicioso acordo foi assinado pela Organização dos Produtores Africanos de Petróleo (APPO, na sigla em inglês) e pelo Fórum Empresarial de Energia da África Central (CABEF, na sigla em inglês). O gasoduto da África Ocidental que liga a Nigéria, Benin, Togo e Gana serviu como um dos modelos para a nova empreitada.
“Embora os projetos possam ser muito viáveis, construí-los está, na minha opinião, além das capacidades financeiras e técnicas desses países”, sugeriu Salameh. “Portanto, duvido que eles cheguem a ver a luz do dia em breve ou nunca a verão. Para isso, eles precisam de grandes investimentos estrangeiros, algo que não acontecerá em um futuro próximo, já que a economia global está caminhando para uma recessão muito dura.”
Ayuk concordou que o financiamento ainda está em questão, acrescentando, no entanto, que o Banco Africano de Exportação e Importação, também chamado de Afreximbank – uma instituição de financiamento comercial multilateral pan-africana – e outras organizações financeiras serão fundamentais.
Ele também observou que “há total alinhamento de todos os chefes de Estado e a câmara de energia africana está mobilizando o setor privado para apoiar”. Ao mesmo tempo, Ayuk alertou sobre a potencial resistência de vários grupos ambientais ocidentais, que têm jogado repetidamente areia nas engrenagens dos projetos do continente sob o pretexto de uma agenda de mudanças climáticas.
“Também tomamos nota do ataque maciço de grupos ambientais ocidentais contra os combustíveis fósseis africanos e de seus planos de parar o projeto que ainda está em [estudo de] viabilidade”, apontou o empresário. “Sabemos o que eles fizeram com projetos de petróleo em Moçambique e o Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental em Uganda e Tanzânia. Teremos que lutar para que isso dê certo.”



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