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Tropas alemãs retornam à Bósnia — CMIO

Berlim envia 50 soldados sobre protestos sérvios e críticas russas à “otanização rastejante”

A Alemanha ordenou que cerca de 50 soldados se juntem à missão de paz liderada pela UE na ex-república iugoslava da Bósnia-Herzegovina, depois de se retirar quase uma década atrás. Os sérvios bósnios se opuseram e a embaixada russa alertou sobre os jogos de poder da Otan quando o primeiro grupo de soldados da Bundeswehr foi enviado para fora de Sarajevo na terça-feira.

Segundo a EUFOR, os alemães vão “fornecer capacidade adicional” tanto na sede da Operação Althea quanto em uma rede de postos avançados que fornecem um link para governos e comunidades locais.

“Esta implantação é mais uma demonstração do compromisso da UE com um futuro estável, próspero e europeu para todos os cidadãos” da Bósnia-Herzegovina, disse a missão.

Cerca de 50.000 forças de paz da OTAN foram enviadas pela primeira vez para a Bósnia em 1996, para impor o armistício que encerrou a guerra civil de 1992-95 entre os sérvios, muçulmanos e croatas do país. A UE assumiu o poder em 2004 e a Alemanha retirou o seu contingente no final de 2012. Atualmente, a EUFOR tem cerca de 1.100 soldados de 20 países cuja missão é agora ajudar Bósnia “no seu caminho para a integração europeia”.

Milorad Dodik, o sérvio-bósnio membro da presidência tripartida do país, disse que seu povo não apoia e não pode confiar na presença militar da Alemanha na Bósnia, dada a recente resolução do Bundestag expressando o desejo de revisar os Acordos de Paz de Dayton.

“Esta resolução interfere em nossa ordem constitucional e representa uma intromissão nos assuntos internos de outro país”. Dodik disse à mídia local na terça-feira. Ele acrescentou que a história da Alemanha na região – como ocupantes nas duas guerras mundiais – também funciona contra os sérvios terem alguma confiança nas ações de Berlim.


Líder sérvio-bósnio lamenta 'déficit de liderança global'

Enquanto isso, a embaixada russa em Sarajevo disse que a chegada de tropas alemãs parece fazer parte da agenda EUA-Reino Unido para um “rastejante OTAN-ização” da Bósnia. A própria EUFOR tinha dito ao Conselho de Segurança da ONU que o país era pacífico e estável, pelo que o seu súbito pedido de reforços parece falso, enquanto as referências à crise na Ucrânia são “particularmente inaceitável”, acrescentou a embaixada.

A Rússia está atenta às possíveis provocações para mostrar que a EUFOR é fraca e precisa ser substituída por “tropas de ocupação da OTAN”, disse a embaixada, instando todas as facções bósnias a “não participar de um jogo imposto artificialmente jogado com cartas marcadas” mas comece a discutir problemas políticos internos sem ditames externos.

O mandato da EUFOR está programado para expirar em novembro e sua extensão dependerá do Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia tem poder de veto. No ano passado, quando a Rússia se recusou a aprovar a nomeação de Christian Schmidt como novo “alto representante” na Bósnia, os próprios países ocidentais nomearam o ex-político alemão.



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