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Japão aprova vazamento de água contaminada de Fukushima no Pacífico


Dada a aprovação já recebida por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), assim que seja obtida a aprovação das autoridades locais, a TEPCO (companhia distribuidora de energia elétrica) vai oficialmente lançar a construção das estruturas necessárias para o vazamento, como um túnel submarino. Segundo o Global Times, que cita as palavras do representante oficial do Ministério das Relações Exteriores chinês, se o Japão lançar realmente o processo de vazamento sem organizar consultas e sem chegar a acordo com as partes interessadas e institutos internacionais relevantes, vai “certamente pagar caro pelo seu comportamento irresponsável”.
Conforme a edição chinesa, no próprio Japão a credibilidade da TEPCO foi comprometida há muito, especialmente pela forma como lidou com as consequências da catástrofe nuclear em Fukushima.
“Foram os erros da TEPCO, cometidos para economizar dinheiro, que fizeram com que o acidente nuclear fosse tão grave – de nível 7, o nível mais alto na história da humanidade”, diz a publicação. “Já depois do acidente, foi revelado que a TEPCO tinha repetidamente escondido e manipulado os dados.”
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Quanto ao plano de vazamento da água contaminada no oceano, o Japão tem afirmado que não tem nenhuma alternativa, tentando “parecer aos olhos da comunidade internacional como uma parte prejudicada e esforçada”. Contudo, como o Global Times afirma, o problema é que o vazamento da água é a variante mais barata para o país asiático, com muitos especialistas em energia nuclear propondo melhores métodos.

“Para dissipar as dúvidas da comunidade internacional, o Japão tem repetidamente afirmado que a água contaminada, por conter pequenas quantidades de trítio, é segura. Ora, o ex-primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga hesitou por muito tempo na frente das câmeras, e finalmente não se atreveu a beber a água contaminada nuclear diluída – a cena ainda está fresca na memória de muitas pessoas”, salienta o artigo do Global Times.

Ao mesmo tempo, de acordo com especialistas, o trítio só é perigoso para os seres humanos em doses altamente concentradas, e a TEPCO parece supor que o vazamento no mar não implica uma grande concentração do químico.
A utilização da água contaminada da usina nuclear de Fukushima afeta o ambiente marítimo global, o que preocupa muito a opinião pública dos países do Ásia-Pacífico.
“Não se trata do assunto interno japonês, de todo”, afirma a publicação.

© AP Photo / Hiro KomaeReator nuclear Nº 5, no centro-esquerda, e reator 6 por trás de tanques com água tratada, mas ainda radioativa, na usina nuclear de Fukushima Daiichi, na cidade de Okuma, prefeitura de Fukushima, nordeste do Japão

Reator nuclear Nº 5, no centro-esquerda, e reator 6 por trás de tanques com água tratada, mas ainda radioativa, na usina nuclear de Fukushima Daiichi, na cidade de Okuma, prefeitura de Fukushima, nordeste do Japão - Sputnik Brasil, 1920, 23.07.2022

Reator nuclear Nº 5, no centro-esquerda, e reator 6 por trás de tanques com água tratada, mas ainda radioativa, na usina nuclear de Fukushima Daiichi, na cidade de Okuma, prefeitura de Fukushima, nordeste do Japão
O representante oficial do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, afirmou em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (23) que o Japão manifesta um comportamento irresponsável ao apresentar o vazamento à comunidade internacional como fato consumado, ignorando as preocupações das diferentes partes.
A China apelou para o Japão cumprir as suas obrigações internacionais de boa fé, se livrar da água contaminada usando “métodos científicos, abertos e transparentes”.

“Se o Japão persistir em colocar os seus próprios interesses acima de todos os interesses internacionais comuns, tomando essa decisão, vai certamente pagar pelo seu comportamento irresponsável, deixando uma ‘mancha’ na história”, disse o representante da diplomacia chinesa.

Conforme a agência de notícias Yonhap, o governo sul-coreano se juntou à China na sexta-feira (22), ao expressar suas próprias preocupações sobre a aprovação do plano japonês. Seul afirmou que, face à decisão de Tóquio, vai fortalecer a sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), além de aumentar o seu controle de radiação marítima interno.
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Certos analistas, segundo o Global Times, já defendem que, caso a água contaminada seja vazada no oceano, é o Japão quem vai ser o mais afetado, por ser um dos países do mundo que mais consomem frutos do mar. O peixe e frutos do mar contaminados podem provocar riscos sérios para a saúde da população local.
Yu Zhirong, pesquisador do Instituto do Mar da China Oriental, também conversou com o Global Times, afirmando que a decisão de Tóquio pode acarretar mais doenças entre as pessoas que moram nas zonas costeiras, como a leucemia, câncer e infertilidade.
“É provável que os japoneses se tornem as ‘pessoas doentes’ da Ásia no século XXI. Não é brincadeira, é um fato inegável”, disse o especialista.
Para resumir, segundo o Global Times, o acidente nuclear de Fukushima foi um dos desastres nucleares mais sérios na história da humanidade. É por isso que, dada a falta de inspeções independentes e rigorosas, o Japão “não tem direito algum de tomar decisões arbitrárias sobre o vazamento de água contaminada no Pacífico”.



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