Diretiva Nacional

Bebê elefante resgatado de plantação de óleo de palma luta por uma vida digna

  Fact-checking   Autentic   DMCA   Report






Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Gomos Simanjuntak

Com 400 quilos, o bebê Paichit sabe quando é o momento de se alimentar. O elefante deixa escapar um grito de entusiasmo na selva de Sumatra, Indonésia, assim que seu cuidador Julkarnaini se aproxima com um balde na mão.

“No começo ele estava muito magro, mas depois de um mês aqui está engordando”, diz.

Paichit, um dos elefantes criticamente ameaçados de Sumatra, foi encontrado encurralado e morrendo de desnutrição em uma plantação de óleo de palma em Aceh, no norte da ilha de Sumatra. Seu pai tinha sido baleado e o resto da manada havia fugido em pânico.

Quando foi descoberto, Paichit estava tão desnutrido que suas costelas eram visíveis sob sua pele flácida. Ao chegar a um centro administrado pela Agência de Proteção de Recursos Naturais de Aceh (BKSDA), um gotejamento intravenoso foi imediatamente colocado em sua orelha.

“Paichit estava realmente em más condições quando chegou, muito desidratado, sofrendo com o choque, estresse e muito magro, faminto e sua pele estava em mau estado”, lembra a veterinária da BKSDA, Rosa Wahyuni.

De acordo com a reportagem do The Guardian, agora Paichit passa seus dias em sua área na selva, a cerca de meio quilômetro do centro, com seu dedicado cuidador Julkarnaini, que o vê até seis vezes por dia para alimentá-lo e lhe dar banho.

Uma avaliação de seu progresso deixa todos felizes. “Estimamos que ele engordou cerca de 80 quilos desde que chegou”, diz Wahyuni, cuja prática veterinária também inclui tigres, lagartos e crocodilos.

“Ele começou a melhorar. Tem um bom apetite e a condição de sua pele está melhor também. Os sinais de saúde prioritários são todos positivos até agora”, completa.

Paichit é uma subespécie pequena do elefante de Sumatra, que declinou em devastadores 80% em 25 anos. Na melhor das hipóteses, só restam 2800 deles na natureza.

Em 2012, a classificação de elefantes de Sumatra foi alterada de “ameaçada” para “criticamente ameaçada” e a WWF estima que as espécies não irão sobreviver em longo prazo.

A caça, o desmatamento e a perda de habitat são as maiores ameaças aos elefantes. Nas últimas duas décadas, as ricas florestas tropicais da Sumatra foram dizimadas e transformadas em plantações de madeira e palma.

O habitat de espécies nativas como elefantes, tigres e rinocerontes de Sumatra foi destruído. Depois de 1985, a floresta tropical de Sumatra encolheu em mais de 50% do seu tamanho.

Foto: Gomos Simanjuntak

Ao perderem quase 70% do seu habitat em uma geração, os elefantes da ilha vagam por aldeias e plantações. Na maior nação produtora de óleo de palma do mundo, entre 80 e 90% dos conflitos entre humanos e elefantes ocorrem em áreas usadas pela indústria madeireira e de óleo de palma.

“Muitas pessoas os enxergam [os elefantes] como pragas. Houve um caso, por exemplo, em 2013, quando uma pessoa morreu. Então, uma semana depois, alguém daquela comunidade encontrou o elefante e o matou. Foi um assassinato de vingança”, explica Wishnu Sukmantoro, um especialista em elefantes da WWF Indonésia.

Aparentemente isso também aconteceu com o pai de Paichit, que foi morto a tiros em uma plantação de óleo de palma no leste de Aceh, onde o bebê Paichit foi encontrado.

Mas de acordo com seus cuidadores as próprias chances de sobrevivência de Paichit parecem grandes. “Se fosse uma competição de bebidas, ele seria uma lenda”, brinca o neozelandês Murray Munro, ou “Muzza”.

Munro, que trabalha em um centro de proteção de elefantes no Nepal, abandonou tudo quando soube do resgate de Paichit e viajou para oferecer seu apoio e experiência, depois de ajudar com sucesso uma pequena elefanta órfã chamada Bona cinco anos antes.

Neste caso, ele fez uma campanha de crowdfunding para arrecadar os US$ 2 mil necessários para alimentá-la e lhe dar as vitaminas necessárias. Bona tem seis anos e está prosperando hoje, diz Munro, que planeja visitá-la em Bengkulu, no sul de Sumatra.

Ele tem trabalhado em uma campanha semelhante para garantir que Paichit também tenha tudo de que precisa. Como ele está em melhores condições do que Bona, Munro estima que sua alimentação custará cerca de US$ 700 por mês.

Enquanto isso, os indonésios também usam outras maneiras para lidar com a questão dos elefantes, mas ainda exploram os animais. Em Aceh, uma unidade de resposta à proteção de elefantes (CRU) funciona há vários anos, onde animais cativos são treinados para memorizar uma série de comandos e, em seguida, usados para perseguir elefantes selvagens nas profundezas da floresta.

Foto: WWF Indonesia/Rex

Para minimizar o conflito entre elefantes e humanos, os animais são usados como “guardas” para responder a relatórios e avistamentos pela comunidade local e ao rastreamento dos movimentos de elefantes selvagens por meio de coleiras com GPS. Em Aceh, há sete CRUs e 34 elefantes forçados a atuar como guardas.

Infelizmente, há o risco de Paichit ser explorado dessa forma. Wahyuni acredita que liberá-lo de volta na natureza seria muito perigoso e, com a ajuda de Julkarnaini, se concentra em recuperar sua saúde e seu espírito.

Nos últimos cinco anos, dois bebês elefantes resgatados e tratados no centro não sobreviveram. Porém, se Paichit superar este período inicial, logo terá oportunidades de socializar com outros companheiros. Isso é fundamental para os elefantes que são animais profundamente sociais.

Quando sua saúde melhorar, o centro planeja apresentar Paichit a uma “tia” elefanta . Agora, seu cuidador desempenha um papel crítico.

Julkarnaini atua no centro há 20 anos e sabe tanto sobre elefantes como qualquer pessoa no local. Ele conta que o trabalho foi uma decisão feita com o coração: “É uma espécie de destino. Você acredita que pode cuidar do animal? Será assim”.

Paichit tornou-se mais saudável e mais calmo sob sua vigilância atenta. “Do jeito que vejo, esse bebê elefante tem que viver. Tivemos experiências ruins com bebês elefantes antes. Em minha mente, este tem que conseguir”, diz ele enquanto caminha para alimentar Paichit sob o sol da tarde.

Comments

comments

  Fact-checking   Autentic   DMCA   Report






Mostrar mais

CMIO

Conselho de Mídia Independente - Grupo independente, de atuação jornalística; baseado em SP. Replica e elabora conhecimentos e assuntos de utilidade pública.

Artigos relacionados

Adblock Detected.

Desative seu AdBlock para poder acessar o conteúdo gratuito. Disable your AdBlock.