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Reinventamos o Butantan e a nova fábrica de vacinas faz parte desse processo, diz Dimas Covas


O CPMV possui uma característica central que é, de forma simplificada, a capacidade de produzir vários tipos de vacinas, ou seja, é multipropósito. Em sua configuração atual, ele pode produzir a CoronaVac, a vacina da raiva, da hepatite e contra o zika vírus. Por ter essa dinâmica, a fábrica possui exigências de qualidade muito elevadas: alinhada aos princípios da Indústria 4.0, ela é totalmente automatizada, com todos os processos controlados digitalmente e com mínima interferência humana. Além disso, possui áreas de biossegurança de nível 3, imprescindíveis para a manipulação de vírus patogênicos. “Tudo isso faz dessa fábrica uma das mais modernas do mundo”, resume Dimas.

Outra vantagem é que, com o CPMV, o Brasil está apto a responder rapidamente a novas pandemias, com recursos do próprio país. Para o gerente de desenvolvimento industrial do Butantan, Adriano Ferreira, o Instituto estará apto para atender com celeridade as demandas que surgirem do governo federal para a população brasileira. “Temos uma fábrica em escala industrial para produzir IFA [Insumo Farmacêutico Ativo] e atender rapidamente a população brasileira e o Ministério da Saúde. Essa autossuficiência nacional não tem preço.”

A nova instalação faz parte de um parque industrial que conta, entre outras, com a fábrica de vacinas do vírus da influenza – sendo que o Butantan é o maior produtor de imunizantes contra a gripe do hemisfério sul – e a fábrica que produzirá futuramente as vacinas contra a dengue e a chikungunya (ambas estão na fase final de ensaios clínicos).

 

Um outro Butantan

A estratégia de ampliação do parque industrial do Instituto faz parte de um plano maior de internacionalização e modernização que vem desde 2018. “O Butantan se remodelou e se reinventou nesses últimos anos e, principalmente, enfrentou a crise da pandemia de forma muito eficiente e decisiva”, lembra Dimas Covas.

Entre as iniciativas do Instituto para o enfrentamento à Covid-19 estavam a produção da CoronaVac, a primeira vacina a ser distribuída no Brasil, o desenvolvimento da ButanVac, futuro imunizante que será inteiramente fabricado no país, a criação do soro anti-Covid, especialmente importante para o tratamento de pessoas que não podem ser vacinadas, a criação da Rede de Laboratórios para o Diagnóstico do SARS-CoV-2, que ajudou a zerar a fila de exames RT-PCR no estado de São Paulo, e a Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, que acompanha as variantes mais circulantes do vírus nos municípios paulistas.

De acordo com Adriano Ferreira, hoje o Instituto está em um nível internacional equivalente ao das melhores indústrias farmacêuticas do mundo. “Nossos parceiros europeus, americanos e coreanos ficam encantados com o nível de excelência que o Butantan tem em produzir imunobiológicos. Eles têm uma segurança muito grande no corpo técnico, na diretoria, no Instituto como um todo.”

O próximo passo desse processo será a abertura do Parque da Ciência do Butantan. O local trará novos espaços e os tradicionais museus do Instituto revitalizados. “O parque do Butantan logo será aberto à visitação, e foi totalmente remodelado. Vai ser um espaço turístico importante”, afirma Dimas. “O principal avanço nesses cinco anos é que o Butantan é hoje um outro Butantan.”

 



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