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Irã não reconhece missão aprovada pela ONU para investigar protestos

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O Irã disse hoje (25) que não reconhece a missão independente aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo foi criado para investigar possíveis violações das liberdades fundamentais nos protestos desencadeados após a morte, em setembro, da jovem Mahsa Amini.

“A República Islâmica do Irã considera desnecessária a formação de qualquer mecanismo para examinar os acontecimentos dos últimos dois meses no país, além de violação da soberania nacional. Também não reconhece a missão estabelecida para este fim”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou, nessa quinta-feira, a criação de uma comissão de inquérito independente para “recolher e analisar provas” de violações dos direitos humanos na repressão, que já causou mais de 300 mortos, incluindo 40 crianças, e quase 15 mil detidos.

A resolução que inclui este novo mecanismo de investigação foi aprovada com 25 votos a favor, 16 abstenções e seis contra, incluindo a China, que tinha anteriormente tentado, sem sucesso, que o texto relativo à criação da missão de investigação fosse retirado.

O Irã condenou e rejeitou a resolução, “imposta por alguns países ocidentais ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU”, e defendeu as ações face às manifestações que exigiam o fim da República Islâmica.

“As forças de segurança iranianas lidaram com os desordeiros com a máxima contenção, e dezenas de polícias e pessoal de segurança foram mortos e milhares de pessoas ficaram feridas”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que as autoridades persas demonstraram “o máximo apaziguamento e bondade humana para com os detidos e, especialmente, a máxima tolerância com as mulheres”.

O Irã citou diretamente a Alemanha, um dos principais patrocinadores da resolução, a quem acusou de cometer “erro histórico”, impulsionado por “objetivos políticos” e “falsas notícias”.

“Esta forma de agir não só não promove os direitos humanos, como também os torna vítimas de um certo grupo de países”, afirmou.

Os protestos foram, inicialmente, desencadeados pela morte, em 16 de setembro, de uma jovem curda iraniana de 22 anos, Mahsa Amini, detida três dias antes pela polícia dos costumes por uso indevido do hijab, o véu islâmico.

Nos dias seguintes, os protestos contra o uso da força no Irã foram dando lugar a manifestações de apoio às mulheres, cada vez maiores e em mais cidades, e foram se estendendo às denúncias de atuação da Guarda Revolucionária iraniana, unidade de elite do regime do ayatollah Ali Khamenei.

As autoridades responderam com forte repressão policial, nas quais pelo menos 342 pessoas foram mortas, de acordo com a organização não governamental Iran Human Rights, com sede em Oslo.

Além disso, mais de 15 mil pessoas foram detidas nas manifestações, das quais pelo menos duas mil acusadas de vários delitos pela participação nos protestos.

Até agora, seis dos acusados foram condenados à morte.

O governo iraniano acusou os Estados Unidos, Israel e países europeus de tentarem provocar uma guerra civil a fim de desintegrar o país persa por meio dos protestos.

Teerã também citou países europeus como a Alemanha, cuja embaixada é suspeita de estar no centro da conspiração, de acordo com meios de comunicação iranianos, e a França, acusada de enviar espiões para fomentar os protestos.

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